Hábitos saudáveis e expectativa de vida # 24 - Pesquisa da Universidade de Cambridge

Enviado por Seed4Life em sex, 19/03/2021 - 07:00
# 24

A literatura médica já há muito tempo mostra a importância para nossa saúde e bem-estar de cultivarmos hábitos saudáveis. Mas até a pesquisa feita na Universidade de Cambridge, do Reino Unido, não se tinha uma quantificação dos efeitos da nutrição e outros hábitos nas doenças do sistema circulatório, câncer e doenças crônicas. A pesquisa envolveu mais de 20 mil ingleses de Norfolk, de ambos os sexos, com idades entre 45 a 79 anos, acompanhados entre 1993 e 2006. O objetivo da pesquisa era medir os efeitos na saúde e na expectativa de vida daqueles que praticassem regularmente um conjunto de hábitos, ditos saudáveis. Os efeitos na saúde foram medidos pelo risco de morte por doenças coronarianas e outras doenças crônicas.


Os pesquisadores escolheram, entre muitos hábitos saudáveis, o seguinte conjunto: 1) não fumar; 2) não ser sedentário (isto é, praticar pelo menos meia hora de atividade física moderada por dia); 3) usar álcool com moderação (até 8g por dia); e 4) ter uma alimentação nutritiva e saudável, entendida como ingerir cinco porções de frutas e vegetais por dia (equivalente a ter nível de vitamina C maior do que 50 nano mols por litro). 


Os 20 mil participantes foram divididos em cinco grupos, conforme o número de hábitos que praticavam: nenhum, um, dois, três ou todos os quatro hábitos. Foram medidos os efeitos isolados da adoção de cada um desses hábitos e comparados com o grupo que não praticava nenhum. Também foram medidos os efeitos combinados de que praticava dois, três ou todos os quatro.

O estudo foi observacional, sem escolha randômica dos participantes. O grupo que não praticava nenhum desses hábitos (era tabagista, sedentário, bebia acima do limite e não tinha uma alimentação saudável) pode ser entendido como o grupo de controle, pois os resultados de quem praticava um ou mais foram comparados aos desse grupo que não praticava nenhum. Os pesquisadores tiveram o cuidado excluir aqueles que no início da pesquisa fossem portadores de problemas cardíacos ou câncer.
O alto número de participantes e o longo período em que foram acompanhados dão grande relevância aos resultados, mesmo sem ter sido estudo randômico duplo cego. E quais foram? 


A pesquisa mostrou que praticar cada um desses hábitos saudáveis teve impacto relevante na redução do risco de morte, sendo que parar de fumar teve o maior impacto. Quanto mais desses hábitos a pessoa praticasse mais veria reduzido esse risco durante esses 13 anos de acompanhamento. As pessoas que não cultivavam nenhum desses quatro hábitos tiveram risco de morte quatro vezes maior do que o do grupo que praticava todos os quatro hábitos considerados saudáveis. O resultado, traduzido em palavras mais simples, mostra que as pessoas que cultivavam os quatro hábitos tiveram risco de morte equivalente ao de pessoas 14 anos mais jovens. Isso corresponde a terem ganho 14 anos de expectativa de vida. Nada mal! 


Vale a pena o esforço para superar hábitos arraigados não-saudáveis. O conhecimento desses resultados pode suscitar nas pessoas o desejo de mudarem seus estilos de vidam, mas, com alertamos nos Blogs # 20 e # 21, o conhecimento sozinho não é suficiente para que as pessoas de fato consigam mudá-los. É preciso mais, desde algum envolvimento emocional, participação em grupos que enfrentam a mesma motivação, até mudanças nos processos mentais para livrar-se dos comportamentos automatizados.

Um comportamento é automatizado quando sai da esfera executiva do cérebro e se arraiga no cerebelo - a parte mais primitiva dele. Que o digam os fumantes, os alcoólatras, chocólatras etc. Assim também com a alimentação e por isso falamos de “hábitos” alimentares porque deixaram de ser comandados pela parte executiva de nosso cérebro. Para que mudemos de hábitos precisamos resgatá-los do cerebelo para a córtex pré-frontal.

Mas esse é assunto para um blog específico. Por enquanto, e para facilitar as mudanças, porque não mudar um hábito de cada vez, até que o escolhido se automatize e aí partir para mudar mais um.

 

Fonte: https://journals.plos.org/plosmedicine/article?id=10.1371/journal.pmed.0050012

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